segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sonambulismo do abismado

PS: Natalia, direto, sempre que posso leio seu blog. Mas quando eu comento, na hora de postar, dá defeito. E não tem como entrar em contato com você...mas sempre acompanho.

O impacto da bomba
não me deixa com sono
mas a fumaça negra me esconde
sem ter nem mesmo por onde

O poeta de chinelo, xula, mesmo
com seus versos esqueléticos
e a penumbra de fogo nos escombros
me queima aos reflexos

No caminho já perdido
lhe encontra um mendingo
Que diz: Como vai meu amigo?
"Nem me venha com seu desdém

Também estou perdido
mas não lhe chamo de amigo
fantasmagora-me, isso eu peço
e só por isso estou dormindo."

A pomba que dum brilho
se levantou do ninho,
não era mínino um pássaro
era a bomba que se ostentava.

4 comentários:

Diego El Khouri disse...

Poeta de chinelo, xulo e sem morada.
Perdido nos vãos do caminho. Insólitas paisagens. Penso como vc e tbm tenho esse intento de descer a poesia para as nossas esferas e arrancar-la de seu pedestal de marfim.

Pronto. Esse poema já está no zine 2,
se é q um dia terá a segunda edição...

...

...

...

Karlinha disse...

Ahhh... sempre muito bom!

Eu leio seus textos com tanta vontade que as veias da minha gargata ficam altas!

*__*

"O impacto da bomba
não me deixa com sono
mas a fumaça negra me esconde
sem ter nem mesmo por onde"

MUITÍSSIMO BOM!

Sarah El Khouri disse...

vc escreve bem pra caramba! Nenhum comentario que eu fizer podera descrever tao bem o quanto vc é um otimo poeta! Acho que esses dois malucos acima conseguiram dizer

Sir Vi disse...

Sempre esse lirismo fumegante! Ler-te é pedir para si próprio que adentre uma esfera sem entrada, de exoesqueleto ébrio e dourado e de carne prata e voluptuosa. Uma esfera cujas saídas ainda nos trasladam a algo que a palavra poesia só consegue vislumbrar, enquanto que nós (poetisados) somos levados a um outro grau de consciência, o nirvana de nosso eu lírico.
Continues arrebatando-nos, senhor carroagem de fogo!