quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O- ansioso

(Por Atun Álgun)

Talvez exista um ser de felicidade inabalável que mesmo quando vê a miséria dá um sorriso solto, não estampado, trocando palavras através do olhar, sem maldade, sem malicia no coração, pois dele ninguém abusa... Ainda que grande parte da sujeira do mundo esteja descoberta e apenas assim já seja terrível, ainda que os aproveitadores o fodam, ter vergonha e ficar na mesma posição não é com ele. Alegria inabalável, hospitais não dão conta da demanda, o mundo inteiro está doente e o vírus é um deus Vulcão que engole oferendas. Rotina, silêncio diamantado, ignorância, submissão, conformismo, satisfação anestésica, tudo isso o Vulcão engole... Questionamento, reivindicação, protesto, movimento, mudança, "felicidade que só é completa quando compartilhada" inabalável, não. E entra em erupção, explode seu líquido opressor que policia, libera o enxofre colorido por nomes como gás de contenção, gás do riso, e até mesmo de cozinha, sobre a batizada desordem... Prisão por desacato, desaparecimento, espancamento para a vida voltar ao normal. Corpos que vão pra debaixo da terra, mortes naturais inexistentes, vida artificial construída, olhares desabados pelo choro, vermes e coração, dia longo, espasmos, dor esticada, desespero, realidade... Talvez exista no mundo um ser de felicidade inabalável que, depois de examinada, como sangue seja doável.

5 comentários:

FSB disse...

http://www.youtube.com/watch?v=gmn70nSohl0&feature=player_embedded

Caucuz disse...

"felicidade q soh eh completa quando compartilhada". No meio das dores do mundo, ao menos que os raros momentos de felicidade possam ser compartilhados. Belo texto!

Sarah El Khouri disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sarah El Khouri disse...

Acredito sim que exista esta felicidade pura e profunda, algo que surge da simplicidade, algo que está além da matéria. Acredito na felicidade que principia em um coração que experimentou a dor, e que por isso, sabe engrandecer-se na miséria, enriquecer-se na pobreza, evoluir quando tudo parece querer barrar. Acredito que só quem sofreu e superou a dor experimentou a vida em proporção real. Mas me refiro a quem sofreu e evoluiu com a dor, pois sabe consolar-se, reconciliar consigo msm quando tem culpas, ajudar os outros quando sofrem, cultivar o que há de melhor, o que dá um novo sentido a vida. E sobretudo quem descobre este novo sentido existencial, quem enxerga a vida além das aparências, em fim, quem descobre a real felicidade, aprende a lutar pelo acredita, vive ideais, questiona a vida... não vive à margem de si mesmo.

Priscila Faria disse...

FODA!