
Próxima do inverno, és bela
Chegado o verão, outono, primavera
És bela, estatela, quebradiça
Seus cacos tilintam ao cair no chão
Uma harmonia soa e quebra o silêncio mudo
Cai de leve uma chuva
Sem raios, sem granitos
Só chuva, só água
O silêncio paira
Leve, uma bolha de sabão
Flutua entre as sombras
Um morcego, grita
Ao desvio de paredes
Num pedaço de vidro
Uma gotinha pinga
Não sei si é água
Mas marca um tempo
Um tempo insistente
Que atrai e distrai
O som de um violino dança
Enquanto eu vejo seus lábios cor de rosa
És bela( uma imagem) da espessura
De seus fios de cabelo torneando o vento
Vejo que sou o solo, os cacos caem do céu
Vindo direto ao chão
Avoam-me nos olhos
Furam as pupilas
Cortam-me as artérias
Sim, flutuam pelo corpo todo
Na noite, somos água e terra
Na manhã apenas misturados
Em forma de lama
Tenho em mim os seus estilhaços
E você tem em si
Os meus torrões de terra
Embora nada do que eu diga
Se encaixe
És bela, estatela, quebradiça.