(Por Ivan Silva)
"De vinho, de poesia ou de virtude"
ao brotar que acolhe o bucolismo
lágrimas solitárias da madrugada,
fantasmas mil, sem rumo nem direção
Olhos doentes a curiar pela janela.
Pouca luz prestes a se extinguir
Iluminando o fim dos dias na memória
que vomita, mija, sangra e agoniza.
"De vinho, de poesia ou de virtude"
Em que se foram já todas as companhias
Esse silêncio insistente é minha tosse
Minha companheira mais amarga, fatal,
que vira e mexe se oculta em outra dose
A qual surte efeito de imediato!
quarta-feira, 10 de abril de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
ZINES NA ÁREA
Três! Um deles é o da Anita Prado, com o nome Katita. Está na 4° edição.
Um zine em quadrinhos onde a Katita, personagem lésbica, aborda assuntos como preconceito e
homofobia. Pra entrar
em contato e conhecer o trabalho: www.marcadefantasia.com (site da editora), ou então através do blog da autora: cafofodakatita.blogspot.com
terça-feira, 19 de março de 2013
MORBIDEZ
(Pintura: David Bowie)
(Por Ivan Silva)
Conheço muito bem essa necessidade
que beira a cagar e vomitar.
Tal é a necessidade!
Ora, e quem sabe se um dos poemas mais belos
não foi escrito assim...
Uma idéia dessas estragaria qualquer suspiro.
Não sentem o cheiro? Não?!
Tão pouco importa a vós, conservadores, a ultilidade desses esforços!
No entanto sobre a função dos laxantes,
duvido que já não tenham ouvido falar...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
MALZDREAMS
Primeiro e segundo cd, "Quem é você?" e "Na Ponta dos pés"
Malzdreams... Malzdreams é isso, sonhos malditos, malditos sonhos, nome inspirado em todos os desejos, em todos os pesadelos, bons sonhos e todos os malditos sonhos que nos refugiam de uma realidade tão... sonhada.
http://tramavirtual.uol.com.br/malzdreamsbr
Malzdreams... Malzdreams é isso, sonhos malditos, malditos sonhos, nome inspirado em todos os desejos, em todos os pesadelos, bons sonhos e todos os malditos sonhos que nos refugiam de uma realidade tão... sonhada.
http://tramavirtual.uol.com.br/malzdreamsbr
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
FRAGMENTO
(Por Ivan Silva)
"Escola de filho é em casa". Lembro-me bem de como memorizei o velho ditado. De todas as épocas, a que mais me invadiu a memória no isolamento foi essa: a escolar. O pátio de ontem, o recreio, a juventude a se extravazar mais do que durante uma aula... São essa mesma rua noturna, repleta de mistérios, farras e silêncio. Foi assim que vi tudo a primeira vez, quando ainda não encarava meus medos, minhas barreiras. Imaginava que por o pé pra fora da sala nesses momentos seria praticamente assinar minha setença de morte. Era assustadora a idéia. Nunca me enquadrei nas brincadeiras, na maioria delas. As achava pouco comunicativas e competitivas demais. As únicas que me chamavam atenção eram as que pareciam ter, como finalidade: o exercício da mente. Demorei muito pra perceber que qualquer uma das brincadeiras, não só exercitava a mente, como também iam além disso. Humor, corpo, intuição... vários cata-ventos girando na rua noturna. Absorvendo essas sensações que batiam em meu peito, cheguei ao lago da contente cidade, e fui entrando no local, carregando minha garrafa de vinho e meu violão. Ao longe avistei uma sombra, e meio assustado continuei indo até onde queria chegar, mais perto do lugar, "parceiro, eu vou fumar minha pedra aqui, se importa?", na grama, com uma latinha na mão e procurando bitucas de cigarro, um pouco mais adiante de onde eu havia sentado... Sob as luzes dos postes, a sombra mencionada, agora um revelado rapaz pela menor distância, estava ali, desse jeito, ouvindo eu dizer que não me importava, que não tinha nada contra. Eu ia ficar ali tocando violão, bebendo vinho e tudo bem, naquela distância. "Ah, beleza. Cê viu? Por isso perguntei. Tem gente que quando faz isso não respeita não, chega bem perto dos outros, encosta do lado e tal, ih, já vi demais... por isso a maioria das pessoas nem olhar pra gente olha." Um espanto... minha alma em mil pedaços. O rapaz agora reclamava de um conhecido seu, que devendo como estava, nas mãos de outro já estaria morto.
(!)
Fiquei em silêncio, tentando entender tudo aquilo... sem saber se tentava desambaraçar minha confusão ou aquela que ia se desfazendo em meus ouvidos. É foda... comecei a tocar e ele a fumar a pedra. Quase não consegui beber meu vinho, o pior de todos mesmo sendo o de costume. Decidi apenas tocar meu violão e trocar um pouco de idéia com aquele camarada. Foi quando numa simplicidade fui chamado de amigo. "Essa coisa é uma merda! Qual seu nome mesmo? Eu me esqueço, ôô... Ivan. Isso aqui se chama estraga família. O cara que quiser estragar tudo é só começar a usar isso aqui. O vício é grande..." E em resposta da rápida pergunta que fiz. "Eu comecei assim. Sabe como é o tal do curioso, né? No começo eu só vendia, mas fui inventar de matar a curiosidade... E essa merda dá dinheiro. O negócio é o cara vender, só, mais nada!". Um espanto... mergulhei e deixei meus dedos falarem nas cordas, sem nunca ter tocado tais acordes.
Demorei muito pra perceber que qualquer uma das brincadeiras, não só exercitava a mente, como também iam além disso. Humor, corpo, intuição... vários cata-ventos girando na rua noturna.
Quais eram as sensações, foi o que saiu voando pelos ares, um espatifar. Pontos de interrogação em explosão, com todas as exclamações do delírio incompreensível. "Ouviu esse tiro? Ouviu?! Deve ser a polícia... tenho a sensação de estar sendo perseguido. Tenho medo, muito medo. Isso me deixa assustado, ansioso... a impressão que tenho é que perdi o chão... É isso, a gente fica o tempo todo procurando coisas no chão." E no silêncio horrível que se seguiu... "Vou indo nessa, quero ver se descolo uma grana e compro mais um pouco dessa merda pra mim vender. E posso te falar uma coisa? Se um dia alguém que diz ser seu amigo vier te oferecer isso, é só dizer não, valeu cara, a gente num é amigo não." Pegou na minha mão, meio acuado, me disse seu nome, e saiu assim,"depois eu volto". Levando um dinheiro que dei, na intenção de que comprasse algo pra comer. Já cansado sem o que o momento exigia, bebi do vinho o que não joguei fora e voltei pra casa, com esse fragmento que faz parte da minha vida.
"Escola de filho é em casa". Lembro-me bem de como memorizei o velho ditado. De todas as épocas, a que mais me invadiu a memória no isolamento foi essa: a escolar. O pátio de ontem, o recreio, a juventude a se extravazar mais do que durante uma aula... São essa mesma rua noturna, repleta de mistérios, farras e silêncio. Foi assim que vi tudo a primeira vez, quando ainda não encarava meus medos, minhas barreiras. Imaginava que por o pé pra fora da sala nesses momentos seria praticamente assinar minha setença de morte. Era assustadora a idéia. Nunca me enquadrei nas brincadeiras, na maioria delas. As achava pouco comunicativas e competitivas demais. As únicas que me chamavam atenção eram as que pareciam ter, como finalidade: o exercício da mente. Demorei muito pra perceber que qualquer uma das brincadeiras, não só exercitava a mente, como também iam além disso. Humor, corpo, intuição... vários cata-ventos girando na rua noturna. Absorvendo essas sensações que batiam em meu peito, cheguei ao lago da contente cidade, e fui entrando no local, carregando minha garrafa de vinho e meu violão. Ao longe avistei uma sombra, e meio assustado continuei indo até onde queria chegar, mais perto do lugar, "parceiro, eu vou fumar minha pedra aqui, se importa?", na grama, com uma latinha na mão e procurando bitucas de cigarro, um pouco mais adiante de onde eu havia sentado... Sob as luzes dos postes, a sombra mencionada, agora um revelado rapaz pela menor distância, estava ali, desse jeito, ouvindo eu dizer que não me importava, que não tinha nada contra. Eu ia ficar ali tocando violão, bebendo vinho e tudo bem, naquela distância. "Ah, beleza. Cê viu? Por isso perguntei. Tem gente que quando faz isso não respeita não, chega bem perto dos outros, encosta do lado e tal, ih, já vi demais... por isso a maioria das pessoas nem olhar pra gente olha." Um espanto... minha alma em mil pedaços. O rapaz agora reclamava de um conhecido seu, que devendo como estava, nas mãos de outro já estaria morto.
(!)
Fiquei em silêncio, tentando entender tudo aquilo... sem saber se tentava desambaraçar minha confusão ou aquela que ia se desfazendo em meus ouvidos. É foda... comecei a tocar e ele a fumar a pedra. Quase não consegui beber meu vinho, o pior de todos mesmo sendo o de costume. Decidi apenas tocar meu violão e trocar um pouco de idéia com aquele camarada. Foi quando numa simplicidade fui chamado de amigo. "Essa coisa é uma merda! Qual seu nome mesmo? Eu me esqueço, ôô... Ivan. Isso aqui se chama estraga família. O cara que quiser estragar tudo é só começar a usar isso aqui. O vício é grande..." E em resposta da rápida pergunta que fiz. "Eu comecei assim. Sabe como é o tal do curioso, né? No começo eu só vendia, mas fui inventar de matar a curiosidade... E essa merda dá dinheiro. O negócio é o cara vender, só, mais nada!". Um espanto... mergulhei e deixei meus dedos falarem nas cordas, sem nunca ter tocado tais acordes.
Demorei muito pra perceber que qualquer uma das brincadeiras, não só exercitava a mente, como também iam além disso. Humor, corpo, intuição... vários cata-ventos girando na rua noturna.
Quais eram as sensações, foi o que saiu voando pelos ares, um espatifar. Pontos de interrogação em explosão, com todas as exclamações do delírio incompreensível. "Ouviu esse tiro? Ouviu?! Deve ser a polícia... tenho a sensação de estar sendo perseguido. Tenho medo, muito medo. Isso me deixa assustado, ansioso... a impressão que tenho é que perdi o chão... É isso, a gente fica o tempo todo procurando coisas no chão." E no silêncio horrível que se seguiu... "Vou indo nessa, quero ver se descolo uma grana e compro mais um pouco dessa merda pra mim vender. E posso te falar uma coisa? Se um dia alguém que diz ser seu amigo vier te oferecer isso, é só dizer não, valeu cara, a gente num é amigo não." Pegou na minha mão, meio acuado, me disse seu nome, e saiu assim,"depois eu volto". Levando um dinheiro que dei, na intenção de que comprasse algo pra comer. Já cansado sem o que o momento exigia, bebi do vinho o que não joguei fora e voltei pra casa, com esse fragmento que faz parte da minha vida.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
PANTERAS NEGRAS
Filme sobre os Panteras Negras, grupo revolucionário que surgiu em 1960 no EUA. Nele mostra como o estado joga com a sociedade e como é, nessas situações. Lembrando aqui que constantemente tentam camuflar as formas de opressão, que no fim são sempre as mesmas. Violência e crueldade, física, psicológica. Deixo aqui o vídeo pra quem quiser dar uma conferida e fazer suas próprias reflexões:
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