Rabiscos Zine é mais uma grande edição do Wagner Teixeira. Trata-se de uma publicação em quadrinhos que se fazem e desfazem e vão se transformando em outra coisa? É isso mesmo. E pode até ser equívoco meu mas a sensação é que os quadrinhos que vão além dos quadrinhos são como o zine que vai além do zine em si e se transformando em outra obra (em estado de porvir) nos apresenta outras obras cada qual com sua particularidade, seu olhar, característica. É o caso do zine editado por Fabio Barbosa Reboco Caído (veio junto no pacote), zine que alcança a sua edição n•46 e segue estrada afora trazendo e divulgando também outras criações, parcerias e entrevista.
Somado a tudo isso o folhetim ou zine em formato folhetim? Urtiga dos editores Elio Copini e Petter Baiestorf.
Enfim, independente de formatos, o importante é a mensagem.
E no suposto arremate da oração
Todos se espantaram
(alguns com grande desapontamento)
Quando Evangeliza ao invés de dizer amém
Disse "amem, pessoas, amem,
amem de verdade,
o quanto conseguirem
através de seus gestos e atitude.
Essa é a mensagem. Amem"
Silenciosa foi a resposta
Omar Chua, junho de 2019 (Do livro "Asas de Arcanjo")
Eu sempre gostei de imaginar Que a vida quando vira morte Poe se a transformar Tal e qual faz a lagarta e depois retorna com outro nome Assim como quem a hospeda E a emana... Suspiro ou suspiro Mas que bobeira minha Foi então no meio dessas distrações Que a senhorinha que andava com seu cachorro pela calçada disse: "Vem, Belchior!"
Rio guri
Quando deságua
Todo mundo sabe
Intui:
- Vira mar.
Mas antes de chegar lá
Rio guri
É cristalino
Canta entre os verdes
Cresce mata sedes
Passa por imagens que não consegue guardar
Momentos alegres
Tristes
Belos
Únicos
Faz curvas
Corre devagar
tranqüilo
Aí larga correnteza turvo escuro medonho enigmático agita furioso profundas lembranças entre areias e pedras
Despenca
Extenso abraço na terra.
Mantém vidas
Recebe esgotos
Rio guri, tão diferente
Mudado
"- Como fede! Não é o mesmo. Aquele é cristalino" - dizem os passantes suas verdades
Mas quem é que assim - a essa altura do tempo! - a olhar por não sei qual janela repleto de memórias reconhece o rio guri em seu estado de desfiguração