segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Mais algumas gotas de dor

Por Fabio da Silva Barbosa

aí estão suas lágrimas
novamente inundando
sua face tão marcada
pelas surras do passado
 
e o presente
que não facilita em nada
insiste em mostrar
um futuro de dor
 
não existe fuga
que dure para sempre
para abortos ambulantes
que respiram em plena morte
 
condenados pela existência
perambulando pelo eterno fim
com o apito da benzina
guiando os instintos
 
ruínas interiores
destroços exteriores
pelos restos da desolação
de uma sociedade devastada
 
somos frutos arruinados
nascidos destruídos
totalmente imbuídos
por esses caminhos bloqueados

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

sábado, 14 de novembro de 2015

CORREDOR DA MORTE

Muvuca, calor infernal. Um copo
de café voa pela janela.

- Caralho, quase caiu lá dentro...

O maluco ri enquanto o carro vermelho segue a viagem.

- É, você ia vê era se esse copo
pegasse em mim.

Resmunga um cara ao lado.

- O quê?

- Cê ia vê só era se esse copo pega em mim.

- Ah é?

- É.

- Ah é...

Quem tá em volta já dá uma olhada,
mas a viagem segue costumeira.

- E aí truta, pode vir resolver aquele negócio
aqui? Ahn? É sério. Tô falando ué...
Pode vir que a gente acerta agora.

Daí um cara com camiseta laranja acena
lá da frente.

- E aí, maluco. Já vou...

- Beleza.

A chamada é encerrada. Bocas balbuciam algo incompreensível.

- Que foi, achou ruim o que eu falei?
Quase derramou a porra do café aqui em mim. Quer resolver a gente resolve, só descer desse ônibus. Vem, vamo descer.

-Qual é maluco?

-Qual é o quê?

-Qual é maluco?! Ficou doido!
Vem falando assim não rapá!

- Achou o quê?! Vem falando um
monte de porcaria zum-zum-zum me intimidando aqui
no meio de todo mundo e quer ficar numa boa!

E daí mais uns quatro surgiram
e começaram a cobrir o resmungão de porrada.

- Ai que merda! Motorista, para
essa porra de ônibus! Abre essa porta pelo
amor de Deus! Para, para!

Gritos mais gritos. Um monte de gente passa pro fundão.
Outros tentam apartar a briga.

- Licença aí, licença aí...

Mais um entra no lance, segurando na barra
de ferro e chutando por cima.

- Achou o quê?
Se eu tivesse com uma faca na mão já
tinha te furado seu mané.

- Fica na sua. Vai entrar na briga dos outros é?

-Esse filha da puta só porque veio do Maranhão!

O resmungão - de quem a voz ficou totalmente abafada ali-
continuou levando chute e soco
enquanto pedia, quase que fervorosamente, por calma.
Foi quando o motorista brecou o ônibus e as pessoas todo aquele tumulto espremido conseguiu anestesiar o ânimo da surra.

- Porra motora, põe essa bosta
pra andar! Anda logo com isso aí!
Segue viagem! Nao aconteceu nada.

E a viagem seguiu, seguiu,
até uma barreira policial
depois da baixada.

- Esse aí é a vítima, seu polícia!
Quem teve culpa foi aquele! Aquele!
Isso, quem começou tudo foi esse!
O outro, o outro também! Esse aí
de camiseta laranja! O de mochila também! Aquele outro, do canto!

A caguetagem rolou solta...
e logo em seguida a viagem seguiu.

Por fim por mais que eu me pergunte
de quem é a culpa, quem ou o quê realmente começou com as agressões
por mais que eu procure entender o ocorrido
e ainda tire uma conclusão...
Qualquer resposta que pudesse existir ali
foi alterada minuciosamente
enquanto os passageiros como que de volta a um paraíso
acomodados em seus lugares
assistiam pela janela
toda aquela turma entrar em cana.


Ivan Silva, Fevereiro de 2015

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

JANELA ABERTA

por Marielle Sant'Ana


Estavam ainda frescas as tintas na parede do universo. Foi, naquele instante, que nasceu uma estrela de brilho milenar. Aquecendo mundos frios e distantes, esquecendo o próprio medo do escuro. Queimou-se até o último suspiro. Ficou, naquele espaço, uma grande massa branca de ausência escrita. Abriu-se, assim, uma janela para outro plano. 

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Para acompanhar

http://academiadeneuronios.blogspot.com.br/

sábado, 24 de outubro de 2015

Quadrinhos feitos por volta de 2010-2011



- Catapulta - 


- Canto Desentoado-



- sem título-


- esse já postei uma vez por aqui. Outro:

- sem título -