segunda-feira, 20 de agosto de 2012

DEPARO

(Por Ivan Silva)

não procurava e encontrei
a caminhar em meu coração desmatado,
um sentimento sobrevivente,
livre, incorruptível...
desses que, sei lá,
ou fogem ou atacam a gente.

domingo, 19 de agosto de 2012

rock and roll

(Por Ivan Silva)

dessa vez não há mais volta
o navio fantasma vaga na névoa
anjos em chamas despencam do azul
pairando cinza em meio ao caos

           o    corpo  divino


... com todo desespero do mundo
candidatos abraçam a criança sem lar
um a um
e abrem sorriso para foto
a criança nem X diz...
sem cessar vomita sangue.

sábado, 18 de agosto de 2012

VÍTIMA NÚMERO 24568932547...

(Por Ivan Silva)

No escuro. No escuro de órbitas vazias,
mal tateou um pedaço de papel que estava aos seus pés, escutou:
—Larga esse dinheiro aí, mendigo cego, é meu!
Largou e saiu tropeçando.
—Esqueceu seus olhos!—disse a gargalhada.
A sua volta, escuridão, só...
Fuga lenta.
Tateou algo sólido e contínuo. Parede, muro, não sabia.
O acompanhava sem dar passos. Ou teria ficado surdo?
Tudo se tornou silencioso... Mau cheiro, feridas em todo o corpo,
moscas pousando no cérebro. Para a ironia de sua noção de rumo o que era tateado deixou de ser sentido, escafedeu.
O tal cheiro sofreu aumento, as feridas... vômito de sangue.
Uma onomatopéia bem no coração.

Ao receber a ligação que esperava, o cliente abriu um sorriso de candidato e começou a tratar de sua campanha eleitoral.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

INTRÍNSECO

(Por Ivan Silva)

Loucura
minha amada
ou é a morte bem vestida
minha primeira namorada (?!)
loucura
minha amada
ladra
Ó
Ah
que horror!
transição de toda a febre
me destrua com seu beijo
acabe comigo
o inútil
criança dopada de riso desgraçado
roube de mim de uma vez por todas
esse tédio imensurável.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Brenfa nº01

Primeira edição do fanzine Brenfa, feito em parceria com Diego El Khouri. Para pedir o seu é só entrar em contato:

elkhouri.diego@hotmail.com- Diego El Khouri 
ou isrbaixo@hotmail.com- Ivan Silva

 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

ENTREVISTA COM GABRIELA IASI PILCH

Cantora, escritora, artista plástica. Um bate-papo rápido com essa poeta trabalhando os sentidos. Confiram aí:

1-Você mantinha um blog chamado "sentimento algum", onde postava seus poemas. Por quê esse nome? Pretende voltar?

Eu gosto de palavras que tenham várias formas de significados, o nome do blog: "sentimento algum" veio por representar o fato de existir ou não algum sentimento. Dependendo de como é usada, a palavra pode ser a afirmação ou o pedido pela busca de algum sentimento dentro ou ao redor das pessoas.

2-Música, poesia... pintura também se não me engano, quando começou a desenvolver seu lado artístico?
A primeira "arte" que fiz foi desenhar. Lembro que com 3 anos desenhei o Pato Donalds e não parei mais, rs. Me formei em Artes Plásticas mas como costumo dizer, para uma artista plástica eu sou uma ótima cozinheira. Escrever veio na adolescência e a música foi o que desenvolvi por último. Adoro tudo o que é ligado à Arte.
Amo escrever, cantar...mas sobre cozinhar, acho que é o que faço melhor! rs

3-Como é ser educadora?

A educação informal é muito gostosa pois é um desafio onde você precisa conquistar 20 pessoas à sua frente e geralmente tem meia hora para isso! Geralmente passa-se uma hora e meia com um grupo, então você tem uma hora para aproveitar a sua conquista e desenvolver algo! Fica sempre um gostinho de quero mais com cada um e esse trabalho não acaba. Aprende-se muito!

4-Sua arte é uma ferramenta no dia a dia?

Acredito que não a minha arte propiamente, mas o que ela faz comigo. Um olhar diferente sobre algo é o que sempre proponho para as pessoas, ligar coisas que de cara não estariam relacionadas e começar a perceber que é divertido fazer essas relações e que elas fazem muito sentido!

5-Às vezes, uma idéia fixa não quer sair da cabeça. Gostaria de inverter os papéis aqui... como é ser aprendiz? O que já aprendeu ensinando?
Isso! Sobre idéia fixa...às vezes um visitante entra no Museu ou na Galeria e inverte tudo o que eu pensava ou via, e isso é ótimo, abre a visão, nos coloca novamente "longe do espaço" que trabalhamos e nos faz enxergar aquilo que não vemos por tanto "ver".
Realmente o que fazemos 24 horas por dia, todas as pessoas, é aprender! A cada segundo aprendemos algo novo ou então fixamos algo já ensinado.
Lembro que uma garotinha de 5 anos me deixou sem palavras ao descrever uma imagem, e geralmente os pequenos são os melhores!

6-Desde de quando ouvi a banda que você tocava e cantava (Peserphone Eyes), senti algo bem Joy Division no ar. Sei lá, talvez seja só impressão minha. Mas enfim, mexeu muito comigo, no mínimo curioso. Sobre o que falam as letras?

As letras do Persephone Eyes falavam principalmente de sentimentos de perda. Eu e o vocalista, o André Januzzi, sem querer acabamos colocando em cada música, mesmo que de formas diferentes, algo que tivesse à ver com essa idéia.




7-Fala aí da Poemas de Maio.

O Poemas de Maio surgiu por uma vontade antiga que eu tinha de fazer algo mais leve, feminino e que pudesse experimentar sons mais abrangentes. Então, o Henrique ( baixista ) que já tinha guardado muitos sons que ele criava me passou e fomos construindo mais coisas.
Agora, com a formação toda: César - baixista e Sidney - guitarrista, estamos terminando as gravações do CD que se chamará: Fall. Estou adorando poder cantar e escrever as letras.



8-Um escritor e algo escrito pelo mesmo que você não esquece.

"Talvez haja apenas um pecado capital: a impaciência. Devido à impaciência, fomos expulsos do Paraíso; devido à impaciência, não podemos voltar."


Franz Kafka


9-Um poema seu.

Não e de minha autoria esse corpo
Nem o nome ao qual me chamam
Eu mesmo fiquei perdido por aí
Tentando ser o que queria
Mas só posso ser
O que há em mim.


10-O que melhorou se é que melhorou e o que piorou com a chegada
das chamadas "redes sociais"?


Ah eu gosto das redes sociais, e lembro que foi por um serviço numa lan house dentro de uma escola onde eu escrevi grande parte dos meus poemas no blog que falamos à cima!
Meu pai era professor de Datilografia, adoro máquinas de escrever mas eu gosto de escrever mesmo é olhando para a flecha piscando na tela!
O que melhorou foi o fato de que nós podemos fazer a rede que temos, e fazemos de fato o que vemos, então muito do que reclamávamos na televisão, por não termos acesso à sua produção, aqui temos, e pelo que parece não é tão diferente pois há muita reclamação, então o problema somos nós!
O que melhorou? Nós possuímos  a ferramenta "Fazer" nas nossas mãos, nas nossas casas, hoje com uma simples câmera e idéias, com um blog, com o facebook podemos fazer "TV", movimentar um meio de massa! Então, mãos à massa! Mas tem que ser criada uma boa refeição!!


11-Futuro, presente, ou passado?

Os 3.

12-Por quê?

Tem uma frase da Camille Claudel que diz: Há sempre algo de ausente que me atormente.
Não consigo dizer que gosto ou acredito mais em um só, pois o tempo que eu escolher foi construído ou será vivido em função do outro!
Quando excluo um dos tempos, me sinto como na frase da Camille.


13-Algo pra essa entrevista sair do forno agora.


A menos que você tenha um bolo de cenoura com cobertura de chocolate quentinho no seu forno para tomar com café, mãos à obr..(massa) publicar a reportagem! rs