sábado, 14 de novembro de 2009

Profudamente Filho da Joana

dedicatória--*Emergência*-- à Mario Quintana.

Revolta? Não. Preso? Sim, n'uma cela
...........ainda profundamente.
Abriste a janela Quintana, fui salvo, e contraditório...
Afoguei-me por ela.

Mas não respirei diferente...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

No jeito do acento

Quebraram o acento
que tinhas,
ó ar
ó mar
Que tinhas, ó vento, ó sonho sedento
Que tinhas a cinza do mato
em incêndio
Tudo se fala, em silêncio
tudo se apaga
O poema nojento parece uma bala
Caiu no meu peito: dois acentos "tio"
Ai!Amor--um mar, um ar, a cinza:
Um poema nojento,--Um acento ranzinza...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Teto Alto

No alto teto
não ponho a mão, pois dizem:
"É proteção, o teto da casa"
Mas veem: foi feito

A luz nele apagada escurece
De plano, parece perfeito
Defeituosa noite
Pois falta: a lua, as estrelas...

Encaro-o como nublado
--bastante--e ando devagar
Na estante eu esbarro, sobrecaio

Que que há?! Sentei nas nuvens!
Não gostas do céu?!
É ilusão, caí do sofá.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Começo inteiro

Só conheço um rosto
azedo
e a cortina se abriu

Descance aqui
na cova
cai

hai kai
ferida de sangue
e o resto espandiu

Cala-me de vez
poesia
serei poeta de pia.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A ladra dos Ofícios

(Por Ivan Silva)

O gozo a tudo cansa.
Céus!, assim, o tédio
é de pouco terra mansa
Uma criança sem remédio

Se lhe ocorria na lembrança
a febre lhe entristecia
na medida clara da mudança
só a terra estremecia

O cantorio que lhe cantava
Era a cura guarnecida
De feliz se levantava
Vinha a morte bem vestida

Do menino tirava o tédio
e também se entristecia
Era aí, o seu Ofício (roubado)
--da criancinha que falecia.

domingo, 27 de setembro de 2009

[Por Entre inseticida]

Destino é o que mergulha
motivo é o que se afoga...
se tiram de pouco a pouco essa agulha ,
--minúsculo--mas o buraco,
é o único que há sobra.

Poesia fina de teia aracnídea
é feia enquanto tece
sem saber de quantos gomos
vai levando a sua vida: ferida
enquanto enrola em sua ceda
a própria pele que lucida: --
uma mosca já sem asas
morta, querida, ou amada.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mente

Eu, sou um morto que mente
só entra na minha mente
quem morto é.
E se o que eu digo não for verdade
esse morto é inteligente.